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sexta-feira

Efeitos do videogame

Acesse o link: Efeitos do videogame:


Link: Efeitos do videogame

O link indicado acima se refere a um texto publicado no site da revista Mente e Cérebro e aborda um assunto muito atual: Qual a consequência do uso de jogos eletrônicos em crianças? Sabe-se que o uso precoce e prolongado é prejudicial causando menor desenvolvimento das habilidades linguísticas, dificuldades na escrita e leitura, resultando até em mudanças de comportamento.
Por outro lado, o texto mostra que a tecnologia pode também ser positiva em vários aspectos no desenvolvimento humano.


segunda-feira

Alienação Parental



A síndrome de alienação parental (SAP) foi definida, na década de 1980, pelo psiquiatra norte americano Richard Gardner, como um distúrbio infantil que afeta crianças e adolescentes envolvidos em situações de disputa de guarda entre os pais. No Brasil, a Lei da Alienação Parental, 12.318 foi sancionada no dia 26 de agosto de 2010. Essa prevê medidas que vão desde o acompanhamento psicológico até a aplicação de multa, ou mesmo a perda da guarda da criança a pais que estiverem alienando os filhos. A Lei da Alienação Parental, 12.318 foi sancionada no dia 26 de agosto de 2010.
Os casos mais frequentes da Síndrome da Alienação Parental estão associados a situações onde o rompimento da vida conjugal gera em um dos genitores, uma predisposição vingativa muito grande. Isso quando este não consegue ou não aceita a separação. A partir disso, inicia-se o processo de destruição, vingança, desmoralização e descrédito do ex-cônjuge. Neste processo vingativo, o filho é utilizado como instrumento da agressividade direcionada ao parceiro. Estes processos de alienação causam nas crianças/adolescentes grandes danos emocionais e psíquicos, pois estes se tornam um alvo claro para a destruição do “objeto de ódio” do genitor alienante. Destruir este alvo é a forma que o alienador encontra de “matar” a frustração pela perda vivida, sem levar em conta o resultado final, ou seja, o dano causado aos filhos.
A Criança Alienada apresenta um sentimento constante de raiva e ódio contra o genitor alienado e sua família, se recusa a dar atenção, visitar, ou se comunicar com o outro genitor e guarda sentimentos e crenças negativas sobre o outro genitor, que são inconsequentes, exageradas ou inverossímeis com a realidade. A participação de um psicólogo no processo de separação dos pais é essencial para ajudar tanto os pais quando a criança nesse período, que pode desencadear futuros problemas para a criança, como: distúrbios psicológicos como depressão, ansiedade e pânico, utilização drogas e álcool como forma de aliviar a dor e culpa da alienação; ato suicida, baixa autoestima e não conseguir uma relação estável, quando adultas.
O que se pretende orientar aqui é o cuidado que os pais devem ter nesse tipo de processo de separação para com seus filhos. Colocar o bem estar da criança como prioridade é uma garantia que os pais devem dar para que cresçam sem nenhum tipo de sofrimento psíquico. Portanto o papel do psicólogo nesse contexto é essencial para a proteção psicológica da criança. Porém, muitas vezes o psicólogo atua no problema quando esse chega à justiça, ou seja, já houve muitos prejuízos para a criança.
A Guarda Compartilhada seria a melhor opção e a que melhor atende às necessidades da criança após a separação dos pais, pelo aspecto fundamental da estruturação dos vínculos parentais e do convívio saudável e equilibrado com ambos, não há perdas de referências, não há dificuldades de relacionamentos, todas as questões importantes são resolvidas com a maturidade emocional necessária - e essa maturidade dos pais são exemplos para os filhos.

Fonte: SOUSA, Analícia Martins de  and  BRITO, Leila Maria Torraca de. Síndrome de alienação parental: da teoria Norte-Americana à nova lei brasileira. Psicol. cienc. prof. [online]. 2011, vol.31, n.2, pp. 268-283. ISSN 1414-9893.  http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932011000200006. 
LAGO, Vivian de Medeiros  and  BANDEIRA, Denise Ruschel. A Psicologia e as demandas atuais do Direito de família. Psicol. cienc. prof. [online]. 2009, vol.29, n.2, pp. 290-305. ISSN 1414-9893.  http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932009000200007. 
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terça-feira

Agorafobia


“Em setembro de 1999, estava o paciente andando pelas imediações de sua residência quando subitamente notou seu coração acelerado, sudorese intensa, boca seca, falta de ar e dores no peito; desesperou-se achando que iria ter um "infarto". Foi levado por sua mãe ao pronto socorro, e após exames físicos sem anormalidades, o médico plantonista medicou o paciente com diazepan e explicou que "havia sido uma crise de ansiedade”, liberando-o em seguida.” 1
“Seu primeiro ataque de pânico ocorreu quando estava em um ônibus que vinha de Petrópolis para o Rio de Janeiro, vindo da casa de seus pais, que passavam uma temporada de férias naquela cidade. Os seus sintomas consistiram em uma forte taquicardia, sensações de falta de ar, tontura, ondas de frio e calor, sudorese, tremores internos e ideias de morte iminente por ataque cardíaco. Em decorrência disso, passou a evitar andar de ônibus, elevador, avião, passar em túneis e viadutos, e evitava também engarrafamentos.“ 2

Pode-se dizer que os dois relatos acima apresentam uma mistura de ataques de pânico, medo e ansiedade característicos da Agorafobia. Este distúrbio da ansiedade se resume basicamente pelo próprio medo de ter medo, de sentir mal em lugares como: festas, ônibus lotado, pontes, filas, trem ou automóvel. O medo desencadeia um comportamento de evitação provocado por lugares ou situações onde sair seria difícil ou embaraçoso caso se tenha uma crise de pânico ou algum mal estar. À medida que a pessoa começa a evitar lugares essenciais à sua vida ela passa por muitas dificuldades que influenciam sua qualidade de vida. A relação entre a agorafobia e o pânico é bem próxima. Existe transtorno do pânico sem agorafobia, mas a agorafobia sem pânico é incomum, havendo até mesmo quem afirme que não existe agorafobia isoladamente. As crises de pânico são bastante desagradáveis, mas não afetam o ritmo de vida como a agorafobia faz: torna os pacientes dependentes de outras pessoas para sair de casa e fazer as coisas mais elementares como comprar um pão na padaria. Pode até impedir o paciente de ir ao trabalho, ao médico, de ajudar quem dele precisa.

O tratamento pode ser feito pela combinação de medicamento mais a terapia cognitivo-comportamental (TCC). Como característico da TCC, técnicas serão aplicadas, afim de, diminuir os sintomas fóbicos, a ansiedade antecipatória e preparar o paciente para enfrentar futuras recaídas. 

Fonte: 1: D'EL REY, Gustavo J. Fonseca.Exposição ao vivo no tratamento de agorafobia: relato de caso.Psicol. cienc. prof. [online]. 2002, vol.22, n.4, pp. 80-85. ISSN 1414-9893.  http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932002000400010.
2: RANGE, Bernard. Tratamento cognitivo-comportamental para o transtorno de pânico e agorafobia: uma história de 35 anos. Estud. psicol. (Campinas) [online]. 2008, vol.25, n.4, pp. 477-486. ISSN 0103-166X.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2008000400002. 

segunda-feira

Esquizofrenia



A esquizofrenia é uma doença caracterizada por graves danos para a cognição, para o afeto e para o comportamento. É uma séria desestruturação psíquica, em que a pessoa perde a capacidade de integrar suas emoções e sentimentos com seus pensamentos, podendo apresentar crenças irreais (delírios), percepções falsas do ambiente (alucinações) e comportamentos que revelam a perda do juízo crítico.
A esquizofrenia afeta cerca de 1% da população mundial, independente da cultura, condição socioeconômica ou etnia. Geralmente ocorre na adolescência ou início da idade adulta, sendo mais rara na infância ou após os cinquenta anos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a terceira doença que mais afeta a qualidade de vida da população entre 15 e 44 anos.
Não existe uma causa específica para a esquizofrenia, vários fatores concorrem entre si, como: quadro psicológico; o ambiente; histórico familiar da doença e de outros transtornos mentais; uso de substâncias psicoativas poderem ser responsáveis pelo desencadeamento de surtos e afloração de quadros psicóticos (desconexão com a realidade, alucinações, delírios, e comportamento inadequado).
Os sintomas da esquizofrenia podem variar de pessoa para pessoa, podendo aparecer de forma gradual ou, pelo contrário, manifestar-se de forma explosiva e instantânea. Podem ser divididos em duas grandes categorias: sintomas positivos e negativos.
Sintomas positivos:
Os sintomas positivos estão relacionados diretamente ao surto psicótico. A capacidade de perder a noção do que é real e do que é fantasia, criação da mente da própria pessoa, é um aspecto muito presente nos quadros agudos da esquizofrenia. Podem não ocorrer em todos os casos de esquizofrenia e, mesmo quando presentes, podem variar na intensidade e qualidade dos sintomas. Existem pacientes que não possuem muitos delírios e outros que nunca tiveram alucinações. Há os que apresentam mais sintomas de desorganização psíquica e do comportamento e que não apresentam delírios ou alucinações.
Os delírios são ideias delirantes e pensamentos irreais que mudam o contexto vivido pela pessoa, ou seja, ela distorce a realidade. As mais comuns são a ideia de estar sendo perseguida por alguém, de ser observada ou de que as pessoas falam dela. Outras ideias fantasiosas, como de cunho religioso, místico ou grandioso também podem ocorrer.
Na alucinação, a pessoa pode ouvir ou ver coisas que não existem ou não estão presentes, como escutar vozes conversando entre si ou se referindo à própria pessoa, insultando-a ou ordenando que faça algo. Ela pode ver vultos ou imagens de pessoas, personagens de seu delírio, com as quais é capaz de conversar e interagir. Há casos também de alucinações olfativas (sentir cheiros estranhos), gustativas, táteis (sentir choques ou como se bichos andassem em seu corpo) e dos órgãos internos (sentir o coração derretendo, órgãos apodrecendo).
Tanto no delírio quanto nas alucinações a pessoa não tem controle sobre si. Ambos os sintomas dominam a consciência a influenciam no comportamento.
Sintomas negativos:
Os sintomas negativos se referem à fase crônica da esquizofrenia. Embora possam ocorrer na fase aguda, eles se prolongam por mais tempo e predominam em longo prazo. Esses sintomas são chamados também de deficitários, como referência à deficiência de algumas funções mentais, como a vontade e a afetividade.
As características desses sintomas são: dificuldades de realizar e terminar tarefas, demonstrando desinteresse por essas atividades; dificuldade em expressar e demonstrar seus afetos e emoções, atrapalhando a interação e comunicação social; fala desorganizada, lenta e sem lógica.
Por serem mais duradouros, esses sintomas causam prejuízos na qualidade de vida da pessoa e de seus familiares.
Existem ainda classificações da esquizofrenia de acordo com sua apresentação clínica:
· Esquizofrenia paranóide
· Esquizofrenia hebefrênica ou desorganizada
· Esquizofrenia catatônica
· Esquizofrenia indiferenciada
· Esquizofrenia simples
· Esquizofrenia residual
A farmacoterapia é altamente eficaz no tratamento da esquizofrenia, porém de 25 a 50% dos pacientes continuam a experimentar problemas característicos dessa doença, como: delírios, alucinações, sintomas negativos, depressão e ansiedade). A terapia cognitiva aparece como um forte apoio para diminuição desses sintomas se comparado a outros tipos de terapias.

Fonte:  Leahy RL. Terapia cognitiva contemporânea: teoria, pesquisa e prática. Porto Alegre: Artmed; 2010. p. 305-25.
OLIVEIRA, Renata Marques; FACINA, Priscila Cristina Bim Rodrigues  and  SIQUEIRA JUNIOR, Antônio Carlos. A realidade do viver com esquizofrenia. Rev. bras. enferm. [online]. 2012, vol.65, n.2, pp. 309-316. ISSN 0034-7167.  http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672012000200017. 

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quinta-feira

Estresse



Nossos pensamentos e imaginações são acompanhados de emoções como sugere a terapia cognitiva. Essas emoções podem variar entre positivas e negativas. O que acontece na sociedade atual é a frequente pressão em que as pessoas são expostas no dia-a-dia. Os diversos desafios enfrentados podem acarretar consequências físicas e psicológicas conhecida como estresse.
Pensamentos negativos frequentes de incapacidade, desgaste e frustração diante um problema podem resultar em sensações de medo, desconforto e preocupação. Para alguns essas emoções ajudam a solucionar o problema, mas para outros transformam em estresse físico e/ou psicológico.
O estresse positivo é aquele em fase inicial (“fase de alerta”). O organismo produz adrenalina que dá ânimo, vigor e energia, fazendo a pessoa produzir mais e ser mais criativa. É a fase da produtividade. Ninguém consegue ficar em alerta por muito tempo, pois o stress se transforma em excessivo quando dura demais.
O estresse negativo é aquele com excesso e com maior duração. Ocorre quando a pessoa ultrapassa seus limites e esgota sua capacidade de adaptação. A produtividade e a capacidade de trabalho ficam muito prejudicadas. A qualidade de vida sofre danos. Posteriormente, a pessoa pode vir a adoecer apresentando sintomas de grande ansiedade e até depressão.
Os sintomas psicológicos podem ser: ansiedade, tensão, confusão, irritabilidade, frustração, ira, ressentimento, hipersensibilidade, dificuldade na comunicação com as pessoas, afastamento social, insatisfação com o trabalho, com a vida, desgaste mental, prejuízo do funcionamento intelectual, perda da concentração, da espontaneidade, da criatividade e da autoestima.
Os sintomas físicos do estresse: Aumento da pressão sanguínea, problemas gastrointestinais, fadiga física, sudorese, problemas de pele, dor de cabeça, distúrbios do sono.
Sintomas comportamentais do estresse são: “Deixar para amanhã”, evitação do trabalho, menor produtividade nas tarefas, uso e abuso do álcool e drogas e descontrole alimentar.
A terapia cognitiva vai ajudar a pessoa a avaliar as situações estressantes, como também e reavaliar seus pensamentos diante esses acontecimentos. O trabalho terapêutico envolve habilidades para solucionar os problemas e a evitar que os futuros fatores externos e as mudanças causem novamente estresse na vida da pessoa. Voltar à produtividade diária é muito importante para a saúde física e mental do indivíduo.

Fonte: DRESSLER, William W.; BALIEIRO, Mauro Campos  and  SANTOS, José Ernesto dos. Culture and psychological distress. Paidéia (Ribeirão Preto) [online]. 2002, vol.12, n.22, pp. 5-18. ISSN 0103-863X.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-863X2002000100002. 


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quarta-feira

Vigorexia




As sociedades contemporâneas apresentam uma preocupação exagerada com os padrões de beleza, nas quais há uma verdadeira "divinização" do corpo bonito. Isto tem contribuído para o aumento da insatisfação com a imagem corporal que resulta negativamente em alguns aspectos da vida dos indivíduos, incluindo o comportamento alimentar, psicossocial, físico e cognitivo tanto como a autoestima. Com o objetivo de alcançar uma satisfação com a imagem corporal, correspondente aos ideais estéticos da "cultura", é cada vez mais evidente que as pessoas estão recorrendo a dietas, ao exercício físico exagerado e outras mudanças de comportamento que resultam em transtornos alimentares (ver: Transtornos alimentares) como a bulimia (ver: bulimia), anorexia (ver: anorexia) e a vigorexia.
A vigorexia é um transtorno dismórfico muscular ou Síndrome de Adônis (em referência ao mitológico ideal de beleza masculina, Adônis) caracterizada por uma insatisfação constante com o corpo levando a pessoa às práticas exaustivas de exercícios físicos. Isso ocorre quando o volume e a intensidade de exercício físico praticado por um indivíduo excede a sua capacidade de recuperação, e pode-se somar ao fato de apresentar uma auto-imagem distorcida. 
Os sintomas da vigorexia se destacam pela obsessão em tornar-se musculosos. Essas pessoas olham-se constantemente no espelho e, apesar de musculosos, podem ver-se enfraquecidos ou distantes de seus ideais. Acreditam que estão "incompletos", fazendo com que invistam todas as horas possíveis em exercícios e ginásticas para aumentar sua musculatura. Afeta principalmente o sexo masculino que praticam com frequência o fisiculturismo, esporte que mais comumente se relaciona com este tipo de transtorno, porém não se pode afirmar que todas as pessoas que o praticam tenham vigorexia. O problema geralmente se inicia na adolescência, período onde, naturalmente, as pessoas tendem a ser insatisfeitas com o próprio corpo procurando formas mágicas de se adaptarem aos padrões sociais. Na adolescência existe uma pressão para as meninas se manterem magras e uma cobrança para que os meninos fiquem fortes e musculosos.
Estas pessoas possuem alguns traços característicos de personalidade, costumam ter baixa autoestima e muitas dificuldades em interagir socialmente, costumam ser introvertidas e podem rejeitar a própria imagem corporal.
Dificilmente um indivíduo vigoréxico, assim como o anoréxico, procura ajuda especializada, primeiro porque não tem consciência de seu problema e segundo por medo que as medidas de tratamento o distanciem do corpo que deseja. O acompanhamento psicológico é sempre indicado. Ajuda a pessoa a reconhecer seus pensamentos disfuncionais em relação ao seu corpo e sua identidade, auxilia na elaboração de habilidades para lidar com o problema, assim como, aumentar a autoestima e diminuir o medo de fracassar socialmente.

Fonte: PETROSKI, Edio Luiz; PELEGRINI, Andreia  and  GLANER, Maria Fátima. Motivos e prevalência de insatisfação com a imagem corporal em adolescentes. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2012, vol.17, n.4, pp. 1071-1077. ISSN 1413-8123.  http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232012000400028. 
BEHAR, ROSA  y  MOLINARI, DANIELA. Dismorfia muscular, imagen corporal y conductas alimentarias en dos poblaciones masculinas. Rev. méd. Chile [online]. 2010, vol.138, n.11, pp. 1386-1394. ISSN 0034-9887.  doi: 10.4067/S0034-98872010001200007. 

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http://goo.gl/cfqUI


terça-feira

Transtorno Bipolar




O Transtorno Bipolar (TB) tem como característica, alterações de humor que se manifestam como episódios depressivos e alternando-se com episódios de euforia e bom humor (também denominados de mania), em diferentes graus de intensidade. Existem diferentes tipos desse transtorno. As pessoas com transtorno bipolar do tipo I apresentam pelo menos um episódio maníaco e períodos de depressão profunda. As pessoas com transtorno bipolar do tipo II apresentam episódios de depressão, porém as fases de euforia são mais leves. E por último, uma forma leve de transtorno bipolar chamada ciclotimia que envolve oscilações de humor menos graves.
Nos episódios depressivos pode haver alterações de apetite e do sono, dificuldades de concentração e pensamentos de cunho negativo, incapacidade de sentir alegria ou prazer, redução da energia, agitação psicomotora ou, ao contrário, lentificação, podendo ocorrer ideação suicida e/ou sintomas psicóticos. Nos períodos de mania ou euforia, o paciente apresenta elevação do humor, aceleração da psicomotricidade, aumento de energia e ideias de grandeza, as quais podem ser até delirantes.
O TB afeta homens e mulheres igualmente e geralmente tem início entre os 15 e 25 anos. Estudos sugerem que o transtorno tenha uma base genética sendo que pessoas com históricos familiares têm mais chances de desenvolvê-lo. A evolução precoce do transtorno bipolar pode prejudicar o processo de desenvolvimento normal da personalidade uma vez que a pessoa apresenta comportamentos desadaptativos ou estratégias de enfrentamento disfuncionais das situações diárias. O indivíduo possui uma necessidade de aprovação social, perfeccionismo, pouca habilidade para resolver problemas e apresentam autoestima variável, podendo ser sensíveis a eventos que alterem sua autoavaliação. Pensamentos negativos e dicotômicos são comuns em pessoas bipolares que ao se relacionarem com os acontecimentos negativos da vida causam extremo estresse e alteram o humor.
A terapia cognitiva ajuda a pessoa a criar habilidades para resolução de problemas como também a identificar e alterar os pensamentos e comportamentos desadaptativos. Ajuda também a identificar estressores que podem alterar o humor da pessoa e assim criar alternativas para lidar com isso. A medicação (moderadores de humor) é essencial para o tratamento e juntamente com a terapia auxilia na melhora dos sintomas e nas relações interpessoais da pessoa como também no enfretamento de futuras recaídas.
Alguns sintomas podem aparecer tanto na fase eufórica quanto na fase depressiva.
A fase maníaca pode durar dias ou meses. Alguns possíveis sintomas são:
  • Distraise facilmente
  •  Redução da necessidade de sono
  • Capacidade de discernimento diminuída
  • Pouco controle do temperamento
  • Compulsão alimentar, beber demais e/ou uso excessivo de drogas
  • Capacidade de discernimento diminuída
  • Sexo com muitos parceiros (promiscuidade)
  • Gastos excessivos
  • Atividade em excesso (hiperatividade)
  • Aumento de energia
  • Pensamentos acelerados que se atropelam
  • Fala em excesso
  • Autoestima muito alta (ilusão sobre si mesmo ou habilidades)
  • Grande envolvimento em atividades
  • Grande incomodação (agitação ou irritação)
  • Esses sintomas da mania ocorrem com o transtorno bipolar I. Nas pessoas com transtorno bipolar II, os sintomas da mania são similares, mas menos intensos.

A fase depressiva nos dois tipos de transtorno bipolar apresenta os seguintes sintomas:

  • Desânimo diário ou tristeza
  • Dificuldade de se concentrar, de lembrar ou de tomar decisões
  • Perda de peso e perda de apetite
  • Comer excessivamente e ganho de peso
  • Fadiga ou falta de energia
  • Sentir-se inútil, sem esperança ou culpado
  • Perda de interesse nas atividades que antes eram prazerosas
  • Baixa autoestima
  • Pensamentos sobre morte e suicídio
  • Problemas para dormir ou excesso de sono
  • Afastamento dos amigos ou das atividades que antes eram prazerosas
O risco de tentativas de suicídio em pessoas com transtorno bipolar é grande. Os pacientes podem abusar do álcool ou de outras substâncias, piorando os sintomas e o risco de suicídio. Portanto, o transtorno bipolar é bastante variável e de difícil diagnóstico. Por isso é importante procurar ajuda o quanto antes.

Fonte: ALDA, Martin.Transtorno bipolar. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 1999, vol.21, suppl.2, pp. 14-17. ISSN 1516-4446.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44461999000600005. 
 Leahy RL. Terapia cognitiva contemporânea: 
teoria, pesquisa e prática. Porto Alegre: Artmed; 2010. p. 305-25.


Para saber mais:
http://goo.gl/OUcw1
http://goo.gl/FKn0E

O acompanhamento psicológico nos processos da cirurgia bariátrica.




A obesidade se caracteriza pelo acúmulo de gordura causado pela ingestão alimentar maior que o gasto energético necessário para a manutenção de atividades do dia-a-dia. As pessoas com o Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40 são consideradas obesas.  Atualmente é considerada uma epidemia mundial pela Organização Mundial da Saúde. Atinge tanto homens, quanto mulheres e também o público infantil em grande escala.
Hoje em dia, a cirurgia bariátrica é o método mais eficaz no tratamento da obesidade mórbida e controle do peso em longo prazo. Defini-se como cirurgia antiobesidade aquela que pode ser feita de maneira que limita a capacidade gástrica e a que interfere na digestão, ou uma combinação de ambas as técnicas. O número de cirurgias bariátricas feitas no Brasil aumentou quase 90% nos últimos cinco anos e chegou a 72 mil em 2012, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). 
Geralmente a pessoa portadora de obesidade apresenta um sofrimento psicológico causado pelo preconceito social com a obesidade e também com as características do seu comportamento alimentar. Tendem a apresentar maiores graus de sintomas depressivos, ansiosos, alimentares e de transtornos de personalidade. 
Quem decide submeter-se a cirurgia bariátrica deve passar por uma avaliação psicológica antes da cirurgia solicitada, pelo médico responsável. O psicólogo, neste caso, irá avaliar se o indivíduo está apto emocionalmente para a realização da cirurgia, além de auxiliá-lo na compreensão de todos os aspectos relevantes ao pré e pós–cirúrgico.
A pessoa precisa naturalmente emagrecer antes da cirurgia. A preparação psicológica é inevitável nesse processo, tanto para ajudá-la a se preparar para o processo cirúrgico quanto para enfrentar as dificuldades que terá depois da cirurgia. Isso, porque a pessoa irá comer quantidades bem menores do que comia antes, haverá mudanças no corpo e o alimento não será mais o mecanismo para diminuir angústias, uma vez que, o portador de obesidade mórbida apresenta problemas relacionados ao controle do impulso alimentar.
A terapia cognitiva nesse caso, além de ajudar o indivíduo a passar pelos processos cirúrgicos, irá também  auxiliar na mudança definitiva de pensar em relação à alimentação.  O tratamento se baseia na identificação dos aspectos que desencadeiam a compulsão alimentar e como enfrentá-los, na mudança de pensamentos sabotadores, que justificam o ato de comer, também na criação de estratégias de habilidades para lidar com o novo modo de vida e principalmente para evitar recaídas, pois, sabe-se que ao longo dos anos a pessoa pode voltar a engordar, caso ela não mude seus hábitos e principalmente sua maneira de pensar sobre a alimentação. (ver: Emagrecer reeducando os pensamentos).

Fonte: Abordagem psicológica em cirurgia plástica pós-bariátrica.
 Rev. Bras. Cir. Plást. [online]. 2011, vol.26, n.4, pp. 685-690. ISSN 1983-5175.  http://dx.doi.org/10.1590/S1983-51752011000400026. 
OLIVEIRA, Verenice Martins de; LINARDI, Rosa Cardelino  and  AZEVEDO, Alexandre Pinto de.Cirurgia bariátrica: aspectos psicológicos e psiquiátricos.
Rev. psiquiatr. clín. [online]. 2004, vol.31, n.4, pp. 199-201. ISSN 0101-6083.  http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832004000400014. 

Para saber mais:
http://goo.gl/YyMRZ

segunda-feira

transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva




“Se vale a pena fazer. Vale a pena fazer bem feito.
Um homem prevenido vale por dois.
Um lugar para cada coisa.”



A pessoa com o transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva (TPOC), que começa no início da idade adulta, tem como características exagerada preocupação com organização, perfeccionismo e controle mental. Geralmente são indecisos, inflexíveis e possuem poucas habilidades emocionais e cognitivas.
O problema mais comum que leva a pessoa com TPOC a tratamento é alguma forma de ansiedade. Se estiverem vivendo conflitos externos a ansiedade pode aumentar a ponto de se tornar crônica e até se transformar em um transtorno do pânico. O excesso de preocupação pode se transformar também em transtornos psicossomáticos (problema físico que tem seu ponto de partida em um aspecto psicológico), como, dor de cabeça, dor nas costas e úlceras. Outro motivo que levam essas pessoas ao tratamento é a depressão. Em geral, compulsivos levam uma vida monótona, aborrecida e insatisfatória sofrendo de uma depressão crônica leve. Muitos indivíduos com TPOC também sofrem de obsessões e compulsões específicas (ver: transtornoobsessivo-compulsivo) e se queixam de problemas sexuais do tipo, desejo sexual inibido, incapacidade de ter orgasmo e ejaculação precoce.
De acordo como o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4º Ed), para transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva são necessários no mínimo quatro dos seguintes critérios:
  • Preocupação tão extensa com detalhes, regras, listas, ordens, organização ou horários, que o ponto principal da atividade é perdido;
  • perfeccionismo que interfere na conclusão de tarefas;
  • dedicação excessiva ao trabalho e à produtividade, em perda de atividades de lazer e amizades
  • excessiva conscienciosidade , escrúpulos e inflexibilidade em questões de moralidade, ética ou valores
  • incapacidade de desfazer-se de objetos usados ou inúteis, mesmo quando não têm valor sentimental
  • relutância em delegar tarefas ou trabalhar em conjunto com outras pessoas, a menos que estas se submetam ao seu modo exato de fazer as coisas 
  • adoção de um estilo miserável quanto a gastos pessoais e com outras pessoas; o dinheiro é visto como algo que deve ser reservado para catástrofes futuras
  • rigidez e teimosia.
Quando se fala da história da pessoa com TPOC, há fatores que podem contribuir para esse desenvolvimento de personalidade como, a criação em um ambiente familiar rígido e controlador. Isso resulta em um desejo de total controle sobre si mesmo e sobre seu ambiente.
De acordo com abordagem cognitiva, pensamentos direcionados a evitar erros e ter controle sobre as coisas são comuns, como: “Preciso evitar erros a todo custo”; “Erros são intoleráveis”; “Posso evitar desastres se me preocupar com eles”.
No tratamento, além de objetivos de ajudar o paciente a resolver os problemas que o trouxe a terapia, sejam físicos, ou emocionais é importante estabelecer objetivos e etapas de tratamento. Estabelecer agenda de rotina, fazer o registro de pensamentos automáticos relacionados aos problemas trazidos pela pessoa, ajudá-lo a programar atividades prazerosas, fazer experimentos para testar seus pensamentos disfuncionais e outras técnicas que ajudam a pessoa a direcionar melhor seus pensamentos, diminuir a ansiedade e a realizar tarefas com menos esforço e mais prazer. São diferentes técnicas utilizadas que têm o objetivo de ajudar a pessoa com TPOC a melhorar sua qualidade de vida mudando a maneira de pensar em relação aos problemas diários a ao controle excessivo pelas coisas. Possibilitando assim viver de maneira mais tranquila e prazerosa.

Fonte:terapia cognitiva dos transtornos de personalidade. Artes Médicas, Porto Alegre, 1993. (Original publicado em 1990).
Diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4a edição. Porto Alegre: Artes Médicas; 1995

Para saber mais:
http://goo.gl/pofBV

quarta-feira

Transtorno da personalidade dependente




É natural do ser humano depender do outro em vários contextos, mas a dependência excessiva pode ser um problema, passando a ser chamada de transtorno da personalidade dependente (TPD), caracterizado pela dependência afetiva e física de outras pessoas. As pessoas dependentes resistem em tomar decisões mais simples do dia-a-dia, necessitam de conselhos e costumam fazer que os outros sugerem. Possuem dificuldades em realizar projetos ou desenvolver atividades sozinhos, sentem-se desconfortáveis quando estão a sós e se superam para estarem com outras pessoas. Eles se sentem desamparados, quando recebem uma resposta de desaprovação ou quando há um afastamento nos relacionamentos temendo serem abandonados. Chegam a se sujeitar aos outros e vão a extremos para fazer com que as pessoas gostem deles. Esses indivíduos não possuem autoconfiança e desconsideram suas capacidades e forças.
Tanto a depressão com a ansiedade são problemas comuns no TPD. Primeiro pela falta de iniciativa, sentimentos de incapacidade e dificuldade de tomar decisões. Segundo pela ansiedade de separação temendo serem abandonados. Ataques de pânico podem ocorrer quando surgem novos desafios e responsabilidades, pois não acreditam ser capazes de enfrentá-los. Apresentando assim, déficit em habilidades sociais e na capacidade de solucionar problemas. As fobias (medos) chamam a atenção e provocam atitudes de cuidado e carinho dos outros reforçando o comportamento dependente. Às vezes, por parecerem tão carentes, desesperados e pegajosos têm dificuldades em seus relacionamentos, sempre procurando outra pessoa para se relacionar quando solteiros.
De acordo como o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4º Ed), para transtorno da personalidade dependente, é necessário a identificação de no mínimo cinco critérios a seguir:
  • Dificuldade em tomar decisões d dia-a-dia, sem uma quantidade excessiva de conselhos por parte de outras pessoas;
  • necessidade de que os outros assumam a responsabilidade pelas principais áreas de sua vida;
  • dificuldade em expressar discordância de outros, pelo medo de perder apoio ou aprovação;
  • dificuldade em iniciar projetos ou fazer coisas por conta própria (em virtude de falta de confiança em seu julgamento ou capacidade, não por falta de motivação ou energia);
  • vai a extremos para obter carinho o apoio dos outros, a ponto de oferecer-se para fazer coisas desagradáveis;
  • sente desconforto ou desamparo quando só, em razão de temores exagerados de ser incapaz de cuidar de si próprio;
  • busca urgentemente um novo relacionamento como fonte de carinho e amparo, quando um relacionamento íntimo é rompido;
  • preocupação irrealista com temores de ser abandonado à própria sorte.

Estudos sobre ambientes familiares dessas pessoas mostraram que tiveram famílias que estimulavam pouco a independência e excesso de apego parental. No início da idade adulta, quando a transtorno se apresenta, essas pessoas desenvolvem ideias de desamparo e incapacidade de lidar com o mundo sozinho. Assim, acreditam que precisam de outra pessoa para protegê-los.  Possuem crenças do tipo: “Eu sou inadequada demais para enfrentar a vida sozinha”; “Se meu companheiro me largar estarei acabada”;” Se eu for mais independente, ficarei isolada e sozinha”.
O tratamento é relativamente lento, tendo como foco principal a autonomia da pessoa, no sentido de torná-la capas de agir independentemente dos outros, mas, ao mesmo tempo, ter a capacidade de desenvolver relacionamentos estreitos e íntimos. O terapeuta, também, tem o objetivo de aumentar a autoconfiança e o senso de auto-eficácia da pessoa dependente, ajudando-o a encorajar um papel mais ativo no enfrentamento de seus problemas.
A terapia adequada vai contribuir para uma maior satisfação da pessoa em sua vida e suas relações, como também em um maior sucesso em seus projetos futuros.

Fonte:terapia cognitiva dos transtornos de personalidade. Artes Médicas, Porto Alegre, 1993. (Original publicado em 1990).
Diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4a edição. Porto Alegre: Artes Médicas; 1995

Para saber mais:


Transtorno da personalidade esquiva


O transtorno da personalidade esquiva (TPE) é caracterizado por uma grande evitação comportamental, emocional e cognitiva, afim de, aliviar a ansiedade e situações difíceis. Isso acontece porque as pessoas esquivas têm um grande medo à rejeição. São pessoas que possuem uma autodesvalorização, atribuídas por crenças negativas sobre si mesmo, provocando uma hipersensibilidade à avaliação negativa do outro.   Geralmente quando crianças podem ter tido, através de pessoas consideráveis (pais, professores, amigos, irmãos), muitas críticas e rejeições. Desenvolveram assim, experiências que formaram ideias de inferioridade e incapacidade como: “Eu sou inadequado”; “Eu tenho defeitos”; “Eu sou diferente”; “As pessoas vão me rejeitar”.
Apesar de evitarem muitos contatos, as pessoas com TPE têm o desejo por afeto e amizade, mas é comum que tenham poucos amigos, pois, temem a rejeição. Por isso não aprofundam as relações com os outros, isso quando há o início de uma relação interpessoal. Esse medo provoca nessas pessoas tristeza, ansiedade e solidão. Geralmente procuram terapia por depressão (ver: Depressão), transtornos da ansiedade (ver: Transtornos da ansiedade), abuso de substâncias, transtornos do sono ou queixas relacionadas ao estresse.
Os pacientes esquivos têm crenças negativas sobre si mesmos, os outros e as experiências emocionais desagradáveis, possuindo baixa tolerância à disforia (indisposição e mal-estar). Para não sentirem incomodados, socialmente, evitam situações em que as pessoas possam se aproximar e descobrir seu “verdadeiro” eu. Em termos comportamentais, evitam tarefas que possam gerar pensamentos desagradáveis. E cognitivamente, evitam pensar sobre questões que provocam disforia.  
De acordo como o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4º Ed), para transtorno da personalidade esquiva deve-se apresentar no mínimo quanto dos seguintes critérios:
  • evita atividades ocupacionais que envolvam contato interpessoal significativo, por medo de críticas, desaprovação ou rejeição;
  • reluta envolver-se com pessoas, a menos que tenha certeza de sua consideração;
  • mostra-se reservado em relacionamentos íntimos, em razão de medo de passar vergonha ou ser ridicularizado;
  • preocupação com críticas ou rejeição em situações sociais;
  • inibição em novas situações interpessoais, em virtude de sentimentos de inadequação;
  • vê a si mesmo como socialmente inepto, sem atrativos pessoais, ou inferior;
  • extraordinariamente fechado em assumir riscos pessoais ou envolver-se em quaisquer novas atividades, porque estas poderiam ser embaraçosas.
No tratamento desse transtorno, primeiramente é importante o estabelecimento de uma relação de confiança entre terapeuta e paciente evitando qualquer expectativa de rejeição. Técnicas de controle do humor são empregadas para ensinar os pacientes a manejar sua depressão, ansiedade e outros transtornos. Também é trabalhado na terapia cognitiva, a identificação e modificação dos pensamentos e crenças disfuncionais referentes ás ideias de rejeição. Outro foco é eliminar a disforia e aumentar a tolerância às emoções negativas fazendo com que a pessoa se arrisque mais em seus comportamentos e contatos sociais para ajudar na modificação das crenças disfuncionais antes reforçadas pelo seu isolamento, pois, evitava o mal-estar. 
O processo terapêutico com pessoas com TPE pode ser mais lento, por serem mais reservados e cuidadosos com um contato mais íntimo e à exposição de si. 
A terapia ajuda a pessoa a se libertar com mais segurança, aumentando sua autoestima e melhorando sua qualidade de vida.

Fonte: terapia cognitiva dos transtornos de personalidade. Artes Médicas, Porto Alegre, 1993. (Original publicado em 1990).
Diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4a edição. Porto Alegre: Artes Médicas; 1995

Para saber mais:
http://goo.gl/LTEsC

sexta-feira

A fórmula básica da terapia cognitiva


A principal característica da Terapia Cognitiva é a importância que ela dá ao pensamento, que tem relação com as emoções, o comportamento e a situação vivida. Pensamos de acordo com o que acreditamos e essa maneira bem individual de pensamento é chamada na terapia cognitiva de crença, sendo aquilo que temos como verdades em relação a nós mesmos, ao outro e ao mundo. 
Muitas pessoas não acreditam no poder que os pensamentos têm em nossas vidas e principalmente nos nossos problemas. Tentam encontrar muitas explicações para o sofrimento e nem acreditam que seus processos cognitivos podem ter influência nisso. Isso porque, o pensamento ocorre tão rapidamente que nem se percebe o que se passa na cabeça durante uma situação. Tudo o que percebem é a situação em si e a resposta emocional ou comportamental que dela ocorre. Consideram que, respostas emocionais e comportamentais seriam causadas pelo ambiente. Resumida em uma fórmula a seguir:
A= representa o evento causador, a situação na qual a pessoa se encontra, um estímulo ou qualquer coisa que dê início ao processo de reação
C= representa a resposta, tanto emocional ou comportamental

Ex: A= Juliana liga para seu marido, várias vezes, e ele não atende o telefone
      C= Tem uma crise de ansiedade
                            
                                 A ---------------------> C


O que a terapia cognitiva tenta explicar é que, para toda situação, temos um pensamento que irá avaliá-la de acordo com nossas crenças, verdades criadas através das experiências já vividas. E essas verdades irão interpretar a situação apresentada e assim dar uma resposta. Por isso um mesmo evento pode ter diferentes respostas, pois cada pessoa tem uma maneria específica de processar, interpretar a situação.
Portanto uma nova fórmula pode ser apresentada, como:
B= representa as crenças, pensamentos, percepções, conclusões e interpretações. Representa nosso cérebro: como ele processa a informação vinda de A e organiza em padrões, esquemas, histórias e experiências. Quase todas as nossas emoções podem ser entendidas a partir dessa fórmula:

                   A ------------------> B ------------------> C

Ex:  A= Juliana liga para seu marido, várias vezes, e ele não atende o telefone
       B= Pensa que está sendo traída
       C= Tem uma crise se ansiedade      C2= Briga com o namorado 


Na terapia cognitiva, o objetivo é reconhecer crenças que podem ser disfuncionais com a realidade da pessoa, fazendo com que ela sofra em determinadas situações. Ao reconhecer esses pensamentos, o próximo passo é tentar modificá-los de uma maneira mais racional e próxima à realidade. Ao alterar o pensamento, muda-se a emoção causada pela situação e consequentemente o comportamento da pessoa. Nesse exemplo apresentado, Juliana pode ter uma crença de que as pessoas não são confiáveis. Então, logo pensa que está sendo traída. Se ela passasse a pensar que algo poderia ter acontecido com o namorado, por exemplo, o telefone estava no silencioso, ou ele estava em alguma reunião, ela certamente teria outra atitude que não brigar com o namorado e nem se sentir ansiosa.

É importante lembrar que cada situação é bem analisada de acordo com a história da pessoa. E o exemplo usado é uma pequena demonstração da fórmula básica da terapia cognitiva. Isso é apenas uma demonstração de que as crenças provocam emoções e que mudando as crenças mudam-se as emoções e as atitudes.
O que a terapia tenta explicar é que existem maneiras alternativas de ver uma mesma situação, porém que muitas pessoas se prendem às suas crenças e distorcem a realidade vivida causando prejuízos e sofrimentos.
Também, na terapia, a pessoa aprende a reconhecer situações que desencadeiam os pensamentos disfuncionais, podendo mudar sua maneira de pensar, tornando-se mais preparada para suas dificuldades e criando habilidades de lidar com elas até que essas crenças se tornem mais adaptativas. É por isso que a terapia cognitiva também é educativa, a pessoa leva isso por toda sua vida.

Fonte: BECK, J. A Terapia Cognitiva: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2002.
McMULLIN, Rian E. Manual de Técnicas em Terapia Cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 2005.



quarta-feira

Transtorno na personalidade narcisista



O transtorno da personalidade narcisista (TPN) é caracterizado por uma grande variedade de considerações distorcidas que alguém tem sobre si mesmo e pelos outros.  É normal e até saudável que as pessoas tenham uma atitude positiva de si, mas aqueles com personalidade narcisista possuem uma visão muito superior de si mesma como especiais. São muito competitivas e estão sempre buscando status, medido como valor pessoal. Os indivíduos com TPN são indiferentes aos sentimentos e às necessidades dos outros, tratando-os mal e com explosões arrogantes, ao se sentirem ameaçados por críticas ou limites de poder. Quando a contragosto reconhecem o sucesso do outro, tendem a invejá-lo e julgá-lo.
De acordo como o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4º Ed), para transtorno da personalidade narcisista, pelo menos cinco dos critérios abaixo devem ser identificados. Eles são:

  • sentimento grandioso acerca da própria importância (por exemplo, exagera realizações e talentos, espera ser reconhecido como superior);
  • preocupações com fantasias de ilimitado sucesso, poder, inteligência, beleza ou amor ideal;
  • crença de ser “especial” e único e de que somente pode ser compreendido ou deve associar-se a outras pessoas (ou instituições) especiais ou de condição elevada;
  • exigência de admiração excessiva;
  • possuem expectativas irracionais de receber um tratamento especialmente favorável ou obediência automática ás suas expectativa;
  • é explorador em relacionamentos interpessoais, isto é, tira vantagem de outros para atingir seus próprios objetivos;
  • ausência de empatia: se nega a reconhecer ou se identificar com os sentimentos e necessidades alheias;
  • frequentemente sente inveja de outras pessoas ou acredita ser alvo da inveja alheia;
  • comportamentos e atitudes arrogantes e insolentes.
Acredita-se que essas pessoas possivelmente tiveram uma criação pobre em afeto e na presença dos pais, que compensavam sua ausência com presentes, eram supervalorizados pela beleza e bens materiais, extremamente mimados e quando os pais tinham uma necessidade para que seus filhos fossem talentosos ou especiais, a fim de manter sua própria autoestima. A doença geralmente é evidente na adolescência ou início da idade adulta, quando os traços de personalidade tornaram-se estáveis.
Em termos cognitivos, pessoas narcisistas, possuem crenças e pensamentos referentes à inferioridade e insignificância. Isso pode ser obervado quando alguma situação ameaça sua autoestima. Como resposta a esse pensamento, a pessoa vai acreditar que precisa ser sempre superior para ter reconhecimento. É uma resposta compensatória para sua crença de inferioridade. Elas podem pensar da seguinte forma: “eu sou inferior, para compensar, tenho que ser especial” ou “se eu não tiver sucesso, isso significa que não tenho valor”.
Geralmente procuram tratamento por causa de problemas no relacionamento, no trabalho, incluindo perdas e limitações que ameaçam sua auto-imagem. São pessoas difíceis de aderir ao tratamento, relutam em se autoavaliarem, pois isso pode ativar suas crenças de inferioridade. A estratégia de autoproteção desse transtorno é colocar a culpa de seus problemas nos outros ou em eventos externos. Querem se sentir melhor sem esforço e sem alterar suas atitudes, sendo, geralmente, difíceis colaboradores na terapia.
No tratamento, o terapeuta vai avaliar as crenças centrais da pessoa, se são disfuncionais ou não, em relação ao seu valor pessoal e suas emoções, melhorar as habilidades de conquistas de objetivos levando em conta os limites e as perspectivas dos outros. Em geral a terapia visa melhorar o ajustamento da pessoa em seus relacionamentos, reinterpretar as crenças desadaptativas sobre si mesmo, com a finalidade de desenvolver uma autoconfiança mais resistente e menos reativa como: “Todo mundo é especial de alguma maneira” ou “eu não preciso de constante admiração e status especial para ser feliz a aceito”. Esse tipo de terapia ensina a pessoa a ser seu próprio terapeuta na medida do possível, pois, ela  passa a conhecer melhor suas crenças e pensamentos, podendo assim criar habilidades para modificar a situação futura.

Fontes: terapia cognitiva dos transtornos de personalidade. Artes Médicas, Porto Alegre, 1993. (Original publicado em 1990).
Diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4a edição. Porto Alegre: Artes Médicas; 1995

Para saber mais:
http://goo.gl/jQz1f
http://goo.gl/atJwf

quinta-feira

Transtorno da personalidade histriônica




O transtorno da personalidade histriônica se caracteriza pelo excesso de emotividade e pela busca de atenção. As pessoas com esse transtorno se preocupam demais com a atratividade física, muitas vezes são exageradamente sedutores e se sentem muito bem quando se tornam o centro das atenções. Na maioria das vezes são animados e dramáticos, gostam de chamar atenção sobre si mesmos e podem de início, encantar as pessoas pelo seu entusiasmo e sua aparente sinceridade ou capacidade de sedução.
Os relacionamentos interpessoais das pessoas histriônicas tendem a ser tumultuados e pouco gratificantes. Com o tempo são percebidos como superficiais, exigentes, excessivamente dependentes, controladores e de difícil convívio. Frequentemente respondem a pequenas situações que não gostam com explosões de raiva irracionais e descontroladas. Por dependerem tanto de atenção e aprovação, ficam vulneráveis á ansiedade de separação buscando tratamento terapêutico por causa do fim de um relacionamento. 
O risco real de suicídio é desconhecido, mas a experiência clínica sugere que os indivíduos com o transtorno estão em maior risco para gestos ou ameaças de suicídio para chamar a atenção e coagir os outros a um maior envolvimento.
Esse transtorno atinge um número relativamente igual entre homens e mulheres e se manifesta no início da idade adulta.  O homem neste caso pode vestir-se e comportar-se frequentemente como "machão", procurando ser o centro das atenções e alardeando habilidades atléticas. Já as mulheres, alem das atitudes  para chamar a atenção, se expressam de maneira teatral, dramática e se vestem de maneira atraente, provocantes, usando cores vivas e muita maquiagem, tudo que ajuda a ser o destaque onde quer que esteja. É importante lembrar que essas características isoladas não servem como base de um diagnóstico. Portanto, de acordo como o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4º Ed), para transtorno da personalidade histriônica devem ser identificados no mínimo cinco dos critérios a seguir:

  • Sente desconforto em situações nos quais não é o centro das atenções;
  • a interação com os outros, frequentemente, se caracteriza por um comportamento inadequado, sexualmente provocante ou sedutor;
  • exibe mudanças rápidas e superficialidade na expressão das emoções
  • usa consistentemente a aparência física para chamar a atenção sobre si próprio
  • tem um estilo de discurso excessivamente impressionista e carente de detalhes
  • exibe autodramatização, teatralidade e expressão emocional exagerada
  • é sugestionável, ou seja, é facilmente influenciado pelos outros ou pelas circunstâncias 
  • considera os relacionamentos mais íntimos do que realmente são

Em uma visão cognitiva, pessoas histriônicas têm pensamentos do tipo: “eu sou inadequado e incapaz de lidar com a vida sozinho’ ou “eu preciso que os outros tomem conta de mim”. Elas possuem uma personalidade dependente, pensam de modo extremo, o popular 0-80 e um medo frequente de rejeição fazendo de tudo pela aprovação das pessoas. As características extremas de conquista existem para estas pessoas porque elas não têm habilidades sociais apropriadas para obter uma relação sendo naturais, é preciso então encenar para seduzir. 
É trabalhado durante o tratamento a identificação das crenças e dos pensamentos automáticos através do monitoramento das experiências diárias para testar se os pensamentos são reais ou não. O reconhecimento dos comportamentos inadequados são discutidos e modificados durante a terapia. Técnicas para controlar a ansiedade, como o relaxamento, também é importante assim como o treino de habilidades e resolução de problemas.

Fonte: Terapia cognitiva dos transtornos de personalidade. Artes Médicas, Porto Alegre, 1993. (Original publicado em 1990).
Diagnnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4a edição. Porto Alegre: Artes Médicas; 1995

Para saber mais:
http://goo.gl/tV9vR
http://goo.gl/YjqA0


segunda-feira

Transtorno da personalidade Borderline ou Limítrofe




O transtorno da personalidade Borderline também conhecido como transtorno da personalidade Limítrofe, se caracteriza por uma instabilidade do humor, dos relacionamentos interpessoais, da imagem (ideia) que a pessoa tem de si mesma e do comportamento. As pessoas com depressão ou transtorno bipolar apresentam o mesmo estado afetivo durante semanas, uma pessoa com transtorno da personalidade borderline pode ter episódios intensos de raiva, depressão e ansiedade durando apenas algumas horas, ou no máximo um dia. Estes podem se associar a episódios de agressividade impulsiva, autoagressão e abuso de drogas ou álcool.
Muitos indivíduos com o transtorno da personalidade bordeline são inteligentes e talentosas, mas seu transtorno os impede de se desenvolverem, outros têm dificuldades para concluir sua educação, não trabalham ou têm empregos abaixo de sua capacidade.
O termo "borderline" (limítrofe) deriva da classificação de Adolph Stern, que descreveu esta doença, na década de 1930, como uma patologia que permanece no limite entre a neurose e a psicose. É uma personalidade imatura, caracterizada por difusão de identidade e uso de defesas primitivas e conflituosas.
De acordo como DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4º Ed), o transtorno da personalidade borderline se manifesta no início da idade adulta e deve ser identificado, no mínimo, cinco dos seguintes critérios:
  • Esforço frenético no sentido de evitar um abandono real ou imaginário;
  • padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização;
  • perturbação de identidade: instabilidade da auto-imagem;
  • impulsividade em pelo menos duas áreas prejudiciais á própria pessoa (por exemplo: gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias, comer compulsivo);
  • recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante (ferimentos em si mesmo);
  • instabilidade afetiva, devido a uma acentuada mudança de humor (por exemplo: episódios de intenso mal-estar, irritabilidade ou ansiedade, geralmente durando algumas horas, no máximo um dia);
  • sentimentos crônicos de vazio;
  • raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva;
  • ideação paranóide transitória (breve) e relacionada ao estresse ou a graves sintomas dissociativos (depressão, ansiedade, estresse).

Como em muitas outras patologias psiquiátricas, não se sabe ao certo a causa desse transtorno de personalidade, ainda assim, acredita-se que pode ter causas genéticas envolvidas.
A maioria dos estudos indica uma infância traumática (abuso sexual, outras formas de abuso, família disfuncional, separação dos pais, ou a soma desses e outros fatores). Estima-se que 2% da população sofra desse transtorno, com mulheres sendo mais diagnosticadas do que homens.
Em uma visão cognitiva, as pessoas com esse transtorno geralmente têm crenças que incluem ideias de dependência, desamparo, comportamento extremo de busca de atenção, medo de rejeição, abandono e de perda de controle emocional.
Um tratamento relativamente breve como a terapia cognitiva, tem como objetivo inicial a redução da impulsividade, do comportamento automutilante, do abuso de substâncias, obter certo controle sobre as emoções e entendimento dos problemas, motivando o paciente a continuar a psicoterapia por um período mais longo, pois esses paciente são na maioria resistentes ao tratamento.
Juntamente com a medicação, quando necessária, uma terapia mais longa significaria uma mudança maior e mais profunda, chegando ao nível dos esquemas e crenças que a pessoa tem de si, do mundo e dos outros trazendo uma melhora mais significativa em sua qualidade de vida e satisfação pessoal.

Fonte:Terapia cognitiva dos transtornos de personalidade. Artes Médicas, Porto Alegre, 1993. (Original publicado em 1990).
Diagnnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4a edição. Porto Alegre: Artes Médicas; 1995
Uma visão psicobiológica da personalidade limítrofe. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul[online]. 2005, vol.27, n.3, pp. 262-268. ISSN 0101-8108.  http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082005000300005. 

Para saber mais:
http://goo.gl/AZhVd