Quem sou eu

Minha foto
PSICÓLOGA: Atendimento Clínico: CRP04\37454 Contato: 31-84350101\ 31-25144487 - e-mail: diana.pires.psi@gmail.com

terça-feira

A influência dos pais na obesidade infantil


A obesidade infantil vem aumentando significativamente no Brasil, desde a década de 1970, o número cresceu 53% entre crianças e adolescentes. Esse resultado tem a influência das transformações econômicas e das mudanças do estilo de vida, como hábitos alimentares da população. O padrão alimentar é formado por dietas ricas em gorduras, açúcares, e pobres em carboidratos complexos e fibras.
A redução das atividades físicas e o tempo de lazer, hoje em dia, dedicado à outras práticas que exigem pouco gasto de energia como, internet, vídeo games, ver TV, também são responsáveis pelo aumento de peso infantil além de causar outros prejuízos no seu desenvolvimento. (ver: Os transtornos da modernidade). Além desses fatores, a predisposição genética contribui para o aumento de peso. É importante lembrar que a obesidade infantil gera impacto na saúde física (risco de doenças cardiovasculares, complicações ortopédicas) e psicológica (bullying, dificuldades de relacionamento com outras crianças, autoestima comprometida).O risco da obesidade na idade adulta aumenta quando há obesidade na infância.
O ambiente em que a criança vive (escola, família) é o fator que mais contribui para a epidemia da obesidade infantil influenciando em seu comportamento. Os pais geralmente não percebem o excesso de peso do filho como um problema e só se preocupam quando há algum alerta médico. Há também os pais obesos, que acreditam que seus filhos estão acima do peso por questões genéticas e que nada pode ser feito, assim ignoram qualquer tipo de mudança para reverter o quadro. 
Os pais ou cuidadores são responsáveis pelo ambiente de desenvolvimento da criança, por isso, é importante procurar ajuda tanto psicológica quando nutricional para a mudança de hábitos, garantindo um futuro saudável ao seu filho.
A psicologia cognitiva, nessa questão vai orientar os pais sobre a importância da relação familiar no comportamento da criança e ensinar práticas educativas visando um vínculo saudável da criança com o alimento. Veja algumas orientações:
  • Preocupar com a qualidade do alimento e não controlar somente a quantidade.
  • Manter uma rotina alimentar correta.
  • Dar oportunidades criativas para criança experimentar diversos alimentos saudáveis.
  • Oferecer opções de alimentos saudáveis para a criança escolher qual ela quer na hora da refeição.
  • Não usar o alimento como tipo de punição ou recompensa de algum comportamento da criança. Ex: "limpar o prato" como condição de comer a sobremesa.
Auxiliar os pais na mudança familiar promovendo um clima de atenção, cuidado e compreensão com o filho é essencial para o tratamento da obesidade infantil. Técnicas terapêuticas proporcionam uma melhor qualidade de vida para criança na luta contra a obesidade. Toda a mudança de hábito que for favorável para uma vida saudável da criança é discutida no tratamento como, incentivar atividades físicas que exijam maior gasto de energia e educar a criança sobre a importância de uma boa alimentação para a saúde.  A participação da família na reeducação alimentar e na mudança dos hábitos diários é o ponto mais importante do tratamento.

Fonte: MELLO, Elza D. de; LUFT, Vivian C.  and  MEYER, Flavia. Obesidade infantil: como podemos ser eficazes?. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2004, vol.80, n.3, pp. 173-182. ISSN 0021-7557.  http://dx.doi.org/10.2223/JPED.1180. 
MISHIMA, Fernanda Kimie Tavares  and  BARBIERI, Valéria. O brincar criativo e a obesidade infantil. Estud. psicol. (Natal) [online]. 2009, vol.14, n.3, pp. 249-255. ISSN 1413-294X.  http://dx.doi.org/10.1590/S1413-294X2009000300009. 
 CAMINHA, M.G. & CAMINHA, R.M. (2011) Intervenções e Treinamento de Pais na Clínica Infantil. Porto Alegre, Ed. Sinopsys.


Para saber mais:


segunda-feira

Os transtornos da modernidade



O avanço da tecnologia trouxe juntamente a internet, que tem acesso em praticamente todos os lugares por vinte e quatro horas por dia, e trouxe também os jogos eletrônicos de diversas fontes, que são cada vez mais populares no lazer das pessoas. Essa modernidade possui vantagens e desvantagens, como, o surgimento de um novo transtorno psiquiátrico quando utilizada em excesso e de forma incorreta.
A internet apresenta diversas funcionalidades, favorecendo a comunicação, a busca de informações, sendo  até um tipo de ferramenta no contato social que ajuda e muito as pessoas tímidas e introvertidas que utilizam chats (como “MSN”, Facebook, Orkut, entre outras redes sociais) como via no contato social. Os jogos eletrônicos são considerados uma ferramenta lúdica que facilita na aprendizagem, nas habilidades cognitivas e motoras e são utilizadas como técnica em muitos tratamentos terapêuticos. Fica evidente que o vídeo game hoje em dia é uma das principais atividades de lazer das crianças e até de alguns adultos. Há uma preocupação em relação ao uso dessas tecnologias no crescimento e formação dos adolescentes e crianças por parte dos educadores e pais, pois, eles influenciam na construção dos pensamentos e comportamentos dos mesmos.
Apesar dos diversos benefícios na prática dos jogos eletrônicos, estudos indicam que o abuso no uso de qualquer um desses meios tecnológicos pode desencadear dependência. Pesquisadores revelam que a utilização incorreta de jogos eletrônicos ou da internet possui a chance de ser incluída no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) em sua quinta edição em 2013, juntamente com os grupos dos transtornos do controle de impulsos e do uso de substâncias. Foi assim comparada, porque as atividades cerebrais ativadas no uso de jogos e internet são semelhantes às dos dependentes químicos.
Outros estudos demonstram que esse novo transtorno ocorre com mais frequência em pessoas do sexo masculino na adolescência e na idade adulta. As causas já descobertas são os fatores biológicos, vulnerabilidade mental e aprendizagens incorretas. O que merece ser destacado entre as causas é que, quando mais cedo o usuário tiver acesso aos jogos eletrônicos, maiores serão as chances de desenvolver essa psicopatologia no futuro. Portanto uma correta educação com as crianças na escola e em casa são essenciais na prevenção de problemas relacionados ao uso tecnológico. Dados de pesquisas revelam que 3% dos usuários eletrônicos podem se tornar dependentes.
Os sintomas do dependente de jogos eletrônicos podem ser:
  • Quando o usuário encontra-se incapaz de controlar a frequência e o tempo de uso
  • Utilização de jogos eletrônicos como atividade mais importante na vida da pessoa, dominando seus pensamentos, sentimentos e comportamentos.
  • Tendência a aumentar o tempo de uso para obter satisfação.
  • Modificação do humor (irritabilidade, tristeza).
  • Emoções negativas quando o jogador interrompe o uso ou diminui o tempo dedicado.
  • Problemas interpessoais, envolvendo mentiras e decepções.
  • Piora no rendimento no trabalho, no ambiente de estudo e na socialização.
No tratamento desse transtorno, o especialista deve optar por uma psicoeducação dos mecanismos e efeitos da dependência dos jogos eletrônicos e uso da internet, identificar o que levo o usuário a utilizar a tecnologia e assim trabalhar estratégias de resolução de problemas, elaborar atividades alternativas, automonitoramento e prevenção de recaídas mudando a maneira de pensar sobre a utilidade e necessidade no uso das tecnologias. Essas técnicas são utilizadas na terapia cognitivo-comportamental que tem como objetivo a reestruturação cognitiva do paciente e dos pensamentos adaptativos na sua relação com a tecnologia.
A família no processo de prevenção dessa dependência tem total importância. Conscientizar as crianças e adolescentes sobre o uso dos jogos eletrônicos durante a semana, no período escolar, controlar o tempo de uso, sugerir outras atividades de lazer e monitorar o conteúdo utilizado pelos filhos na internet são exemplos do papel educacional que os pais devem exercer. Todos esses cuidados preventivos têm consequências positivas no rendimento escolar e no bom desenvolvimento psíquico e social da criança e adolescente.   
Pesquisas ainda estão sendo realizadas para acompanhar os acontecimentos contemporâneos e suas consequências no cotidiano dos indivíduos. O uso da internet e jogos eletrônicos têm muitos benéficos, porém à medida que as pesquisas vão evoluindo surgem mais evidências de um possível adoecimento na sociedade moderna resultante do uso incorreto dessas ferramentas tecnológicas. 

Fonte: ABREU, Cristiano Nabuco de; KARAM, Rafael Gomes; GOES, Dora Sampaio  and  SPRITZER, Daniel Tornaim. Dependência de Internet e de jogos eletrônicos: uma revisão. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2008, vol.30, n.2, pp. 156-167. ISSN 1516-4446.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462008000200014. 
LEMOS, Igor Lins  and  SANTANA, Suely de Melo. Dependência de jogos eletrônicos: a possibilidade de um novo diagnóstico psiquiátrico. Rev. psiquiatr. clín. [online]. 2012, vol.39, n.1, pp. 28-33. ISSN 0101-6083.  http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832012000100006. 

Para saber mais:

quarta-feira

Percepções, imagens e emoções.


A psicologia cognitiva trata do modo como as pessoas percebem, aprendem, recordam e pensam. A cognição pode ser definida como um conjunto de atividades e processos que tem como capacidade armazenar, transformar e aplicar o conhecimento.  Entre os processos cognitivos estão a memória, atenção, percepção, raciocínio, criatividade e resolução de problemas. 
Através da percepção um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais (por meio dos sentidos) para dar significado ao ambiente. A percepção do mundo é diferente para cada um de nós, cada pessoa percebe um objeto ou uma situação de acordo com aquilo que tem mais importância para si própria, o que interfere em seu comportamento e causa emoções.  
A percepção visual, no sentido da psicologia e das ciências cognitiva é uma de várias formas de percepção associadas aos sentidos. É o produto final da visão consistindo na habilidade de detectar a luz e interpretá-la. Consiste em reunir e ajustar as informações visuais e compará-las com as imagens mentais armazenadas.
Quando vemos uma imagem, outros sentidos também são ativados. Portanto, para alguns as imagens também têm cheiro, sabor, som, textura, recordações, e causam emoções. Trabalhar com as imagens é trabalhar também com as emoções, algumas nos fascinam, outras nos chocam, outras nos surpreendem. Elas podem nos revelar muitas coisas, mexerem com os sentimentos, despertar sonhos e trazer de volta lembranças boas ou ruins. 
Na prática clínica as imagens são usadas tanto no atendimento infantil, como meio simbólico na comunicação com a criança, como também no tratamento de transtornos da ansiedade como forma de superar situações já vividas e modificar crenças disfuncionais que são armazenas, também, como imagens mentais. (ver: Transtornos da Ansiedade)
A imagem é tudo aquilo que representa algo para alguém. São tipos de porta para outra dimensão, a dos sonhos, dos desejos, das fantasias. É uma dimensão que não está diretamente presente na vida das pessoas. Para Santaella e Noth (1988, p.15), "O mundo das imagens se divide em dois domínios. O primeiro é o domínio das imagens como representações visuais: desenho, pinturas, gravuras, fotografias e as imagens cinematográficas, televisivas, holo e infográficas pertencem a esse domínio. Imagens, nesse sentido, são objetos materiais, signos que representam o nosso meio ambiente visual. O segundo é o domínio imaterial das imagens na nossa mente. Neste domínio, imagens aparecem como visões, fantasias, imaginações, esquemas, modelos ou, em geral, como representações mentais." 


Fonte: BICAS, Harley E. A.; MATSUSHIMA, Elton H.  and  SILVA, José Aparecido Da. Visão e percepção visual. Arq. Bras. Oftalmol. [online]. 2003, vol.66, n.5, suppl., pp. 5-8. ISSN 0004-2749.  http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27492003000600001. 
VIEIRA, André Guirland  and  SPERB, Tania Mara. O brincar simbólico e a organização narrativa da experiência de vida na criança. Psicol. Reflex. Crit. [online]. 2007, vol.20, n.1, pp. 9-19. ISSN 0102-7972.  http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722007000100003. 
REMOR, Eduardo Augusto. Tratamento psicológico do medo de viajar de avião, a partir do modelo cognitivo: caso clínico. Psicol. Reflex. Crit. [online]. 2000, vol.13, n.1, pp. 205-216. ISSN 0102-7972.  http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722000000100021.
ARAUJO,Luís Fernando. Revista de Humanidades, Tecnologia e Cultura. O perceber na imagem e imaginação. n. 01.vl. 02, 2011.



Para saber mais: Veja algumas imagens:
http://scrapp.com.br/flaviodenoronha.com/1.html