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sexta-feira

Cuidados na primeira infância

O trabalho terapêutico infantil vem crescendo nos últimos tempos. O interesse e a produção científica com crianças ultrapassam os problemas patológicos encontrados em jovens antes dos 18 anos. A atenção aqui é falar da importância dos cuidados na primeira infância (antes dos seis anos de idade) como prevenção de futuros problemas.
Várias pesquisas demonstram que a fase inicial da vida tem papel central na formação física, cognitiva e emocional das pessoas. Neste contexto, o papel dos pais é de extrema importância para a futura formação da criança.
Baseando-se no livro: Intervenções e Treinamento de Pais na Clínica Infantil (CAMINHA, M.G. & CAMINHA, R.M. (2011)), existem vários fatores fundamentais para um desenvolvimento saudável na infância como:
  • Apego e vínculo: O apego se define como o comportamento que o bebê realiza no sentido de conseguir os cuidados por parte dos responsáveis resultando em um sentimento de segurança. Conforme esse apego vai sendo respondido, o bebê então começa a criar um laço com as pessoas que atendem às suas necessidades. Por sua vez, o vínculo é um relacionamento emocional e psicológico duradouro que pode ser direcionado há qualquer pessoa. O que nos interessa aqui é o apego, quando há uma carência pode haver problemas na relação social futura da criança. É importante por parte dos pais e cuidadores atuarem de forma sensível e responsável nesta fase do seu filho.
  • Primeiras interações: Neurocientistas descobriram que logo após o nascimento do bebê é de extrema importância o contato com a mãe, pois na hora do parto ela libera uma grande quantidade de oxitocina, hormônio responsável pela redução de estresse e regulação de comportamentos sociais. Sendo importante para a relação mãe e bebê.
  • Dormir: Dificuldades de sono podem sinalizar outros problemas. Sabe-se que durante o sono são produzidos hormônios responsáveis pelas funções de aprendizagem, crescimento e regulação do estado de humor. Nos bebês os estágios e os ciclos dos sonos se desenvolvem completamente entre o quarto e sexto mês normalizando ao longo dos meses. Por causa das dificuldades que os pais encontram nesses períodos, às vezes eles recorrem a técnicas de regular o sono do bebê. Deixar a criança chorar por períodos longos até que durma sozinha é uma técnica que pode prejudicar o apego da criança com seus cuidadores, deixando-a sem o sentimento de segurança e consequentemente  ficando estressada. Outra técnica reconhecida é forçar o bebê a ficar acordado durante o dia para então dormir a noite. Estudos indicam que interromper os estágios de sono pode acarretar em sérios problemas comportamentais e diminuição de massa cerebral. Portanto as intervenções mais adequadas são: criar um ritual antes de colocar o bebê para dormir, fazendo com que ele associe o ritual com a hora de dormir; fazer atividades menos estimulantes durante a noite (para que diferencia o dia da noite); alimentar a criança antes de dormir; evitar fazê-la dormir no colo; quando o bebê acordar durante a noite tentar acalmá-lo antes de alimentá-la, pois pode não ser fome e isso evita que, futuramente a criança satisfaça suas ansiedades nos alimentos.
  • Limites: Limites e regras são essenciais para o funcionamento social do ser humano. Na infância esse termo se inicia quando a criança começa a andar, pois os obstáculos que aparecem em sua frente podem ser perigosos necessitando da intervenção de um adulto. Os limites empenham um importante papel na formação psíquica do sujeito como; capacidade de se expressar, internalização e obediência a regras morais e sociais, lidar com frustrações e controle do comportamento. Permitir demais pode resultar em problemas de conduta, intolerância a frustração e formação de crenças de competitividade e superioridade. A discordância entre os pais sobre os limites pode resultar em desobediência e a criança pode começar a fazer jogo entre os pais para conseguir o que quer. Os limites e regras devem ser colocados de maneira clara, combinada (certificando que a criança esteja prestando atenção), adequada à faixa etária da criança e justificada (o porquê do limite). As consequências da desobediência também devem ser informadas. Distrair as crianças até os dois anos é a melhor saída para aplicar limites, caso ela não entenda o porquê de tal regra. As punições da não obediência também devem ser bem pensadas. Falar em voz alta e com muita expressão facial, evitar punir em público, conversar no mesmo nível da criança (baixando na altura dos olhos dela), mostrar preocupação com a criança (não para mostrar quem manda) e a punição física corporal e sempre' desaconselhada. Quando há uma desobediência insistente recorrer a um profissional é o melhor caminho incluindo o treinamento de pais que é muito eficaz e usual.
  • Alimentação: Proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais, são nutrientes essenciais para a boa formação cerebral e desenvolvimento cognitivo do ser humano. Ter cuidado com o sobrepeso na infância também é importante, evita futuros problemas de saúde e que a criança se torne um adulto obeso. A atividade física e o brincar também ajudam na regulação da alimentação e no crescimento intelectual. 
  • Emoção: Os pais, além de responderem às emoções das crianças, servem de modelos para a aprendizagem de outras emoções. Um dos objetivos do treinamento de pais é ampliar o repertório emocional da criança, flexibilizar as respostas emocionais e auxiliar na interpretação e avaliação emocional. Lidar com as emoções infantis ajuda na solução de conflitos e comportamentos adequados na vida adulta da criança. 
O que se pretende destacar aqui além dos fatores influentes no desenvolvimento infantil é que o papel dos pais é de extrema importância para o reconhecimento das necessidades básicas de um crescimento saudável e são também atuantes na prevenção de futuros problemas na vida da criança quando adultos. O treinamento de pais auxilia na interação entre pais e filhos. O comportamento entre eles podem ser adequados ou não, e isso irá influenciar no repertório social do filho. Pode também ter efeito positivo para ambos em longo prazo, já que se refere a modificações reais no âmbito familiar. A criança pode estar ou não em tratamento terapêutico para que haja o treinamento de pais. Crianças que já apresentam um comportamento inadequado e que recebem cuidados dos pais que são orientados apresentam melhora no comportamento problema. O programa de treinamento de pais está cada vez mais presente em estratégias terapêuticas infantis. Sabe-se que ainda há muito que ser discutido sobre o assunto nas intervenções cognitivas, mas os estudos já feitos comprovam a eficácia do tratamento clínico.

Fonte: CAMINHA, M.G. & CAMINHA, R.M. (2011) Intervenções e Treinamento de Pais na Clínica Infantil. Porto Alegre, Ed. Sinopsys.
 LEAHY, Robert L. (org). Terapia cognitiva contemporânea: teoria,pesquisa e prática. Porto Alegre: Artmed, 2010.

Para saber mais:





terça-feira

Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) se define pela presença de obsessões e/ou compulsões identificadas em algum momento do transtorno. Para entender melhor tal conceito é importante saber sobre a obsessão e a compulsão.
A primeira se refere a pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes, persistentes, estereotipados que são experimentados como intrusos e inadequado causando ansiedade e sofrimento. Sujeira, contaminação, dúvidas obsessivas (conferir algo várias vezes) são alguns exemplos de tipos de obsessão. A compulsão se refere a atos, comportamentos compulsivos e repetitivos que a pessoa se sente obrigada a executar em resposta a uma obsessão ou para prevenir algum evento temido (pensamento mágico), ex: acender a apagar a luz várias vezes, pois se não fizer isto, alguém vai morrer.
O transtorno obsessivo-compulsivo é considerado o mais grave das neuroses, podendo resultar em um transtorno depressivo recorrente dependendo da gravidade dos sintomas obsessivos, e também pode desencadear transtornos alimentares, fobias e transtorno do pânico. É igualmente comum em homens e mulheres e sua tendência é que se instale na adolescência, mas pode também aparecer na infância. Uma vez instalado tende a ter evoluções crônicas, podendo se agravar quando o sujeito vive situações de estresse. Não existe uma causa única para esse transtorno, mas há um padrão hereditário 
As pessoas com esse transtorno não sentem prazer em seus pensamentos de execução tentando resistir e ignorá-los, porém sem sucesso. Causam ansiedade, ocupam e consomem tempo causando danos pessoais e sofrimento. A pessoa pode ficar horas lavando as mãos, por medo de contaminação, pode guardar e colecionar muitas coisas em casa, mesmo velhas, acreditando que um dia elas serão úteis, o ciúmes irracional que pode deixar a pessoa por muito tempo pensando em algo dessa natureza, o indivíduo se torna meticuloso nas organizações, como roupas e objetos ocupando muito tempo nos afazeres diários e no trabalho, podendo resultar em prejuízos na vida pessoal, social e profissional.
As intervenções cognitivas no TOC são eficazes por causa da modificação de avaliação e de crenças deficientes, a mudança cognitiva seria uma consequência de mudanças de comportamento compulsivo. Ameaça superestimada, grandeza pessoal, intolerância a incerteza, perfeccionismo e controle de pensamentos são alguns exemplos de crenças consideradas nas obsessões.
As inovações da terapia cognitiva, como a descoberta orientada, a exposição e prevenção de respostas, a avaliações alternativas da obsessão, a reestruturação cognitiva e a experimentação comportamental são ingredientes terapêuticos fundamentais para o tratamento do TOC e para a prevenção de recaídas.

Fonte: ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação de transtornos mentais  e de comportamento da cid-10: casos clínicos de adultos - as várias faces dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
 LEAHY, Robert L. (org). Terapia cognitiva contemporânea: teoria,pesquisa e prática. Porto Alegre: Artmed, 2010.
ROSARIO-CAMPOS, Maria Conceição do  and  MERCADANTE, Marcos T. Transtorno obsessivo-compulsivo. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2000, vol.22, suppl.2, pp. 16-19. ISSN 1516-4446.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462000000600005.

Para saber mais:

segunda-feira

Fobia Social


A Fobia Social está associada à baixa autoestima, ao medo de críticas e de se expor a outras pessoas levando à evitação de situações sociais (geralmente grupos pequenos) fora do círculo familiar. Nesse caso a fobia social é muito mais do que uma simples timidez ou vergonha. Ela passa a se tornar patológica quando envolve algum prejuízo pessoal como, carência escolar, perda de trabalho, isolamento afetivo, ou seja, tudo que engloba o contato social direto. A pessoa pode apresentar nervosismo, tremores nas mãos, sudorese, dor de barriga, tonteiras, falta de ar e em alguns casos os sintomas podem progredir para um ataque do pânico. Inicia-se frequentemente na adolescência e são igualmente comuns em homens e mulheres.
A ansiedade antecipatória é muito característica dessa fobia, pois há uma preocupação à exposição fazendo com que a pessoa sofra dias antes de determinado acontecimento, como por exemplo:

  • conversar com pessoas importantes;
  • fazer refeições em lugares públicos;
  • realizar exames: Ex.: auto-escola;
  • falar e escrever em público;
  • usar banheiro público.

Além dos prejuízos pessoais a fobia social predispõe o paciente a desenvolver alcoolismo, pois seu efeito ansiolítico faz com que a pessoa consiga se expor socialmente com mais facilidade.
No tratamento recomenda-se o acompanhamento psicológico e em alguns casos a medicação. Quando utilizada, a terapia cognitiva, apresenta uma melhora significativa, inclusive para as recaídas. O treino de habilidades sociais, a avaliação dos pensamentos disfuncionais e sua validade ajudam a pessoa a reduzir os riscos futuros, pois se trata também de uma terapia educativa.

Fonte: ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação de transtornos mentais  e de comportamento da cid-10: casos clínicos de adultos - as várias faces dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
ITO, Lígia M et al. Terapia cognitivo-comportamental da fobia social. Rev. Bras. Psiquiatr.[online]. 2008, vol.30, suppl.2, pp. s96-s101. ISSN 1516-4446.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462008000600007. 


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