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sexta-feira

A fórmula básica da terapia cognitiva


A principal característica da Terapia Cognitiva é a importância que ela dá ao pensamento, que tem relação com as emoções, o comportamento e a situação vivida. Pensamos de acordo com o que acreditamos e essa maneira bem individual de pensamento é chamada na terapia cognitiva de crença, sendo aquilo que temos como verdades em relação a nós mesmos, ao outro e ao mundo. 
Muitas pessoas não acreditam no poder que os pensamentos têm em nossas vidas e principalmente nos nossos problemas. Tentam encontrar muitas explicações para o sofrimento e nem acreditam que seus processos cognitivos podem ter influência nisso. Isso porque, o pensamento ocorre tão rapidamente que nem se percebe o que se passa na cabeça durante uma situação. Tudo o que percebem é a situação em si e a resposta emocional ou comportamental que dela ocorre. Consideram que, respostas emocionais e comportamentais seriam causadas pelo ambiente. Resumida em uma fórmula a seguir:
A= representa o evento causador, a situação na qual a pessoa se encontra, um estímulo ou qualquer coisa que dê início ao processo de reação
C= representa a resposta, tanto emocional ou comportamental

Ex: A= Juliana liga para seu marido, várias vezes, e ele não atende o telefone
      C= Tem uma crise de ansiedade
                            
                                 A ---------------------> C


O que a terapia cognitiva tenta explicar é que, para toda situação, temos um pensamento que irá avaliá-la de acordo com nossas crenças, verdades criadas através das experiências já vividas. E essas verdades irão interpretar a situação apresentada e assim dar uma resposta. Por isso um mesmo evento pode ter diferentes respostas, pois cada pessoa tem uma maneria específica de processar, interpretar a situação.
Portanto uma nova fórmula pode ser apresentada, como:
B= representa as crenças, pensamentos, percepções, conclusões e interpretações. Representa nosso cérebro: como ele processa a informação vinda de A e organiza em padrões, esquemas, histórias e experiências. Quase todas as nossas emoções podem ser entendidas a partir dessa fórmula:

                   A ------------------> B ------------------> C

Ex:  A= Juliana liga para seu marido, várias vezes, e ele não atende o telefone
       B= Pensa que está sendo traída
       C= Tem uma crise se ansiedade      C2= Briga com o namorado 


Na terapia cognitiva, o objetivo é reconhecer crenças que podem ser disfuncionais com a realidade da pessoa, fazendo com que ela sofra em determinadas situações. Ao reconhecer esses pensamentos, o próximo passo é tentar modificá-los de uma maneira mais racional e próxima à realidade. Ao alterar o pensamento, muda-se a emoção causada pela situação e consequentemente o comportamento da pessoa. Nesse exemplo apresentado, Juliana pode ter uma crença de que as pessoas não são confiáveis. Então, logo pensa que está sendo traída. Se ela passasse a pensar que algo poderia ter acontecido com o namorado, por exemplo, o telefone estava no silencioso, ou ele estava em alguma reunião, ela certamente teria outra atitude que não brigar com o namorado e nem se sentir ansiosa.

É importante lembrar que cada situação é bem analisada de acordo com a história da pessoa. E o exemplo usado é uma pequena demonstração da fórmula básica da terapia cognitiva. Isso é apenas uma demonstração de que as crenças provocam emoções e que mudando as crenças mudam-se as emoções e as atitudes.
O que a terapia tenta explicar é que existem maneiras alternativas de ver uma mesma situação, porém que muitas pessoas se prendem às suas crenças e distorcem a realidade vivida causando prejuízos e sofrimentos.
Também, na terapia, a pessoa aprende a reconhecer situações que desencadeiam os pensamentos disfuncionais, podendo mudar sua maneira de pensar, tornando-se mais preparada para suas dificuldades e criando habilidades de lidar com elas até que essas crenças se tornem mais adaptativas. É por isso que a terapia cognitiva também é educativa, a pessoa leva isso por toda sua vida.

Fonte: BECK, J. A Terapia Cognitiva: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2002.
McMULLIN, Rian E. Manual de Técnicas em Terapia Cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 2005.



quarta-feira

Transtorno na personalidade narcisista



O transtorno da personalidade narcisista (TPN) é caracterizado por uma grande variedade de considerações distorcidas que alguém tem sobre si mesmo e pelos outros.  É normal e até saudável que as pessoas tenham uma atitude positiva de si, mas aqueles com personalidade narcisista possuem uma visão muito superior de si mesma como especiais. São muito competitivas e estão sempre buscando status, medido como valor pessoal. Os indivíduos com TPN são indiferentes aos sentimentos e às necessidades dos outros, tratando-os mal e com explosões arrogantes, ao se sentirem ameaçados por críticas ou limites de poder. Quando a contragosto reconhecem o sucesso do outro, tendem a invejá-lo e julgá-lo.
De acordo como o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4º Ed), para transtorno da personalidade narcisista, pelo menos cinco dos critérios abaixo devem ser identificados. Eles são:

  • sentimento grandioso acerca da própria importância (por exemplo, exagera realizações e talentos, espera ser reconhecido como superior);
  • preocupações com fantasias de ilimitado sucesso, poder, inteligência, beleza ou amor ideal;
  • crença de ser “especial” e único e de que somente pode ser compreendido ou deve associar-se a outras pessoas (ou instituições) especiais ou de condição elevada;
  • exigência de admiração excessiva;
  • possuem expectativas irracionais de receber um tratamento especialmente favorável ou obediência automática ás suas expectativa;
  • é explorador em relacionamentos interpessoais, isto é, tira vantagem de outros para atingir seus próprios objetivos;
  • ausência de empatia: se nega a reconhecer ou se identificar com os sentimentos e necessidades alheias;
  • frequentemente sente inveja de outras pessoas ou acredita ser alvo da inveja alheia;
  • comportamentos e atitudes arrogantes e insolentes.
Acredita-se que essas pessoas possivelmente tiveram uma criação pobre em afeto e na presença dos pais, que compensavam sua ausência com presentes, eram supervalorizados pela beleza e bens materiais, extremamente mimados e quando os pais tinham uma necessidade para que seus filhos fossem talentosos ou especiais, a fim de manter sua própria autoestima. A doença geralmente é evidente na adolescência ou início da idade adulta, quando os traços de personalidade tornaram-se estáveis.
Em termos cognitivos, pessoas narcisistas, possuem crenças e pensamentos referentes à inferioridade e insignificância. Isso pode ser obervado quando alguma situação ameaça sua autoestima. Como resposta a esse pensamento, a pessoa vai acreditar que precisa ser sempre superior para ter reconhecimento. É uma resposta compensatória para sua crença de inferioridade. Elas podem pensar da seguinte forma: “eu sou inferior, para compensar, tenho que ser especial” ou “se eu não tiver sucesso, isso significa que não tenho valor”.
Geralmente procuram tratamento por causa de problemas no relacionamento, no trabalho, incluindo perdas e limitações que ameaçam sua auto-imagem. São pessoas difíceis de aderir ao tratamento, relutam em se autoavaliarem, pois isso pode ativar suas crenças de inferioridade. A estratégia de autoproteção desse transtorno é colocar a culpa de seus problemas nos outros ou em eventos externos. Querem se sentir melhor sem esforço e sem alterar suas atitudes, sendo, geralmente, difíceis colaboradores na terapia.
No tratamento, o terapeuta vai avaliar as crenças centrais da pessoa, se são disfuncionais ou não, em relação ao seu valor pessoal e suas emoções, melhorar as habilidades de conquistas de objetivos levando em conta os limites e as perspectivas dos outros. Em geral a terapia visa melhorar o ajustamento da pessoa em seus relacionamentos, reinterpretar as crenças desadaptativas sobre si mesmo, com a finalidade de desenvolver uma autoconfiança mais resistente e menos reativa como: “Todo mundo é especial de alguma maneira” ou “eu não preciso de constante admiração e status especial para ser feliz a aceito”. Esse tipo de terapia ensina a pessoa a ser seu próprio terapeuta na medida do possível, pois, ela  passa a conhecer melhor suas crenças e pensamentos, podendo assim criar habilidades para modificar a situação futura.

Fontes: terapia cognitiva dos transtornos de personalidade. Artes Médicas, Porto Alegre, 1993. (Original publicado em 1990).
Diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4a edição. Porto Alegre: Artes Médicas; 1995

Para saber mais:
http://goo.gl/jQz1f
http://goo.gl/atJwf

quinta-feira

Transtorno da personalidade histriônica




O transtorno da personalidade histriônica se caracteriza pelo excesso de emotividade e pela busca de atenção. As pessoas com esse transtorno se preocupam demais com a atratividade física, muitas vezes são exageradamente sedutores e se sentem muito bem quando se tornam o centro das atenções. Na maioria das vezes são animados e dramáticos, gostam de chamar atenção sobre si mesmos e podem de início, encantar as pessoas pelo seu entusiasmo e sua aparente sinceridade ou capacidade de sedução.
Os relacionamentos interpessoais das pessoas histriônicas tendem a ser tumultuados e pouco gratificantes. Com o tempo são percebidos como superficiais, exigentes, excessivamente dependentes, controladores e de difícil convívio. Frequentemente respondem a pequenas situações que não gostam com explosões de raiva irracionais e descontroladas. Por dependerem tanto de atenção e aprovação, ficam vulneráveis á ansiedade de separação buscando tratamento terapêutico por causa do fim de um relacionamento. 
O risco real de suicídio é desconhecido, mas a experiência clínica sugere que os indivíduos com o transtorno estão em maior risco para gestos ou ameaças de suicídio para chamar a atenção e coagir os outros a um maior envolvimento.
Esse transtorno atinge um número relativamente igual entre homens e mulheres e se manifesta no início da idade adulta.  O homem neste caso pode vestir-se e comportar-se frequentemente como "machão", procurando ser o centro das atenções e alardeando habilidades atléticas. Já as mulheres, alem das atitudes  para chamar a atenção, se expressam de maneira teatral, dramática e se vestem de maneira atraente, provocantes, usando cores vivas e muita maquiagem, tudo que ajuda a ser o destaque onde quer que esteja. É importante lembrar que essas características isoladas não servem como base de um diagnóstico. Portanto, de acordo como o DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 4º Ed), para transtorno da personalidade histriônica devem ser identificados no mínimo cinco dos critérios a seguir:

  • Sente desconforto em situações nos quais não é o centro das atenções;
  • a interação com os outros, frequentemente, se caracteriza por um comportamento inadequado, sexualmente provocante ou sedutor;
  • exibe mudanças rápidas e superficialidade na expressão das emoções
  • usa consistentemente a aparência física para chamar a atenção sobre si próprio
  • tem um estilo de discurso excessivamente impressionista e carente de detalhes
  • exibe autodramatização, teatralidade e expressão emocional exagerada
  • é sugestionável, ou seja, é facilmente influenciado pelos outros ou pelas circunstâncias 
  • considera os relacionamentos mais íntimos do que realmente são

Em uma visão cognitiva, pessoas histriônicas têm pensamentos do tipo: “eu sou inadequado e incapaz de lidar com a vida sozinho’ ou “eu preciso que os outros tomem conta de mim”. Elas possuem uma personalidade dependente, pensam de modo extremo, o popular 0-80 e um medo frequente de rejeição fazendo de tudo pela aprovação das pessoas. As características extremas de conquista existem para estas pessoas porque elas não têm habilidades sociais apropriadas para obter uma relação sendo naturais, é preciso então encenar para seduzir. 
É trabalhado durante o tratamento a identificação das crenças e dos pensamentos automáticos através do monitoramento das experiências diárias para testar se os pensamentos são reais ou não. O reconhecimento dos comportamentos inadequados são discutidos e modificados durante a terapia. Técnicas para controlar a ansiedade, como o relaxamento, também é importante assim como o treino de habilidades e resolução de problemas.

Fonte: Terapia cognitiva dos transtornos de personalidade. Artes Médicas, Porto Alegre, 1993. (Original publicado em 1990).
Diagnnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4a edição. Porto Alegre: Artes Médicas; 1995

Para saber mais:
http://goo.gl/tV9vR
http://goo.gl/YjqA0